A ONU considera que Portugal e os portugueses na Venezuela podem ter um papel importante na recuperação do país após o duplo sismo de junho, através da criação de emprego e do apoio de empresas e organizações às populações afetadas.
O apelo foi deixado pelo coordenador humanitário interino da ONU na Venezuela, Álvaro Rodríguez, que destaca a capacidade das empresas portuguesas para criar oportunidades de trabalho para pessoas que perderam os empregos ou as casas na sequência da catástrofe.
O responsável aponta também a importância da participação de empresas portuguesas das áreas da educação e do setor social, numa altura em que as necessidades continuam a ser grandes.
A ONU mantém duas frentes de atuação no país: uma resposta humanitária, centrada em alimentação, saúde, alojamento, educação, saneamento e água potável, e uma estratégia de médio e longo prazo para apoiar a reconstrução e o desenvolvimento.
Álvaro Rodríguez alerta, no entanto, que a recuperação não termina quando as imagens da tragédia desaparecem das notícias. Muitas vítimas enfrentam perdas familiares, problemas de saúde mental e dificuldades em retomar a vida quotidiana.
Por isso, defende uma reconstrução mais segura, que permita às comunidades resistir melhor a futuros sismos.
A tragédia afetou sete estados venezuelanos e, segundo o balanço divulgado pelas autoridades, provocou 6.438 mortos e mais de 86 mil pessoas assistidas nos hospitais. Entre as vítimas mortais estão pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
A ONU teme que a Venezuela deixe de receber atenção internacional à medida que surgem novas crises noutras partes do mundo, mas garante que o trabalho de recuperação no terreno vai continuar.
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