Nascidas na África do Sul em 1968, as Academias do Bacalhau transformaram o convívio à mesa numa rede internacional de solidariedade e preservação da cultura portuguesa. Mais de cinco décadas depois, o movimento continua a aproximar comunidades portuguesas em vários continentes através da amizade, da Portugalidade e da ajuda a quem mais precisa.
A história começou em Joanesburgo, a 10 de junho de 1968. O que nasceu como uma tertúlia entre amigos rapidamente ganhou dimensão e espalhou-se por outras cidades sul-africanas, como Cidade do Cabo, Durban e Pretória. Atualmente, o movimento conta com cerca de 60 academias distribuídas por quatro continentes.
Os encontros têm no bacalhau o elemento central, mas o convívio à mesa serve sobretudo para fortalecer relações e angariar fundos para causas sociais. Através de jantares, galas, leilões e rifas, as Academias apoiam lares de idosos, instituições de solidariedade, orfanatos, famílias com dificuldades financeiras e jovens através de bolsas de estudo.
O impacto ultrapassa, contudo, a vertente financeira. Na África do Sul, as Academias funcionam também como espaços de encontro e preservação da identidade portuguesa, promovendo a língua, as relações entre gerações e as ligações entre membros da comunidade.
Com uma estrutura assente nos próprios membros e sem uma pesada máquina burocrática, o movimento mantém uma filosofia simples: reunir pessoas, preservar a ligação a Portugal e transformar esses encontros em ajuda concreta para quem precisa.
Mais do que uma refeição, cada encontro das Academias do Bacalhau é uma expressão de comunidade. Uma tradição nascida entre portugueses na África do Sul que encontrou na amizade e na solidariedade uma forma de continuar a unir a diáspora portuguesa pelo mundo.