Embarcações de alta velocidade estão a tornar-se o principal meio de transporte de droga no Atlântico e levam autoridades a apertar controlo nas costas portuguesas
A utilização de lanchas rápidas, também conhecidas como embarcações de alta velocidade, é atualmente considerada a principal ameaça no combate ao tráfico de droga em Portugal, segundo a Polícia Judiciária (PJ). O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, Artur Vaz, alerta que este método se tornou central nas rotas usadas por redes criminosas internacionais que operam entre a América Latina, o Norte de África e a Europa.
Estas embarcações são utilizadas para transportar grandes quantidades de cocaína provenientes da América do Sul, muitas vezes transferidas em alto mar a partir de navios de carga, ou para recolher haxixe no Norte de África. O transporte é feito através do Atlântico, num corredor que envolve os Açores, a Madeira e as Canárias, até à costa da Península Ibérica, tornando Portugal uma das principais portas de entrada da droga na Europa.
As autoridades descrevem este fenómeno como uma “pirataria do mar”, sublinhando a elevada velocidade, manobrabilidade e dificuldade de deteção destas lanchas, o que complica a ação das forças de segurança. Em resposta ao aumento do problema, o Governo tem vindo a reforçar a legislação, incluindo restrições à circulação destas embarcações durante a noite e o agravamento de penas para o seu uso ilegal.
Segundo a PJ, já foram apreendidas mais de 200 embarcações deste tipo desde 2020, refletindo a dimensão crescente desta ameaça no combate ao narcotráfico em território português.
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