A análise aponta que o país já conhece as medidas necessárias para responder à crise da habitação, mas continua a falhar na sua concretização no terreno.
A crise da habitação em Portugal já não é vista apenas como uma questão de falta de soluções, mas sobretudo como um problema de execução das medidas que já estão identificadas há vários anos.
A avaliação sublinha que existem propostas claras para aumentar a oferta de casas, acelerar o licenciamento urbanístico, reforçar a construção e dinamizar o mercado de arrendamento, mas que muitas destas medidas avançam de forma lenta ou ficam bloqueadas na prática.
Entre os principais entraves apontados estão a burocracia, os longos prazos de licenciamento e a falta de capacidade de resposta administrativa, fatores que acabam por atrasar projetos e reduzir o impacto das políticas públicas no mercado.
Apesar de o país registar algum aumento na construção de novas habitações, o ritmo continua insuficiente face à procura e ao défice acumulado de casas, estimado em centenas de milhares de unidades.
O resultado é um mercado onde os preços continuam elevados e o acesso à habitação permanece difícil para muitas famílias, sobretudo nos grandes centros urbanos, reforçando a ideia de que o desafio já não está tanto no diagnóstico, mas na capacidade de execução das soluções existentes.