Um ativista português que integrava uma flotilha com destino a Gaza afirma ter sido detido e torturado pelo exército israelita após a interceção da embarcação em águas internacionais.
Nuno Gomes, de 56 anos, relata que a embarcação onde seguia, integrada na Flotilha Global Sumud, foi intercetada a sul da costa da Grécia, em águas internacionais, durante uma missão que pretendia levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e contestar o bloqueio naval israelita.
Em declarações à Agência Lusa, o ativista afirma que a operação envolveu violência física e psicológica, descrevendo dois dias de alegada detenção forçada. Segundo o seu testemunho, os passageiros foram impedidos de dormir, submetidos a intimidação e, em alguns casos, a agressões físicas.
Nuno Gomes diz ainda ter sofrido lesões, incluindo uma costela rachada e vários hematomas, e afirma que os participantes foram tratados como sequestrados, com o controlo dos passaportes pelas autoridades militares israelitas.
O ativista critica também a atuação do consulado português em Creta, considerando-a insuficiente, embora relate ter sido contactado por um cônsul após o desembarque. Segundo o seu testemunho, foi informado de que deveria tratar do regresso a Portugal de forma autónoma.
Apesar da experiência relatada, Nuno Gomes afirma que voltaria a participar numa ação semelhante, defendendo a causa palestiniana e sublinhando que a iniciativa tinha como objetivo a entrega de ajuda humanitária e a denúncia da situação no território.